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Personagem: Paulyne Kalil
Por: Paulyne Kalil, 18 de dezembro de 2025

A cor que faltava no formulário. Quando me descobri.

Esta história contém:

A cor que faltava no formulário.  Quando me descobri.

A Cor que Faltava no Formulário

Paulyne é professora.

E é diretora escolar.

Daquelas que chegam antes do sinal tocar e saem quando o corredor já está vazio. Não porque alguém manda, mas porque acredita. Acredita que a escola é mais do que prédio, horário e papel. É território de vida.

Ela nunca entrou pela metade em nada. Cada projeto, cada reunião, cada conversa difícil era feita com o corpo inteiro. Não por vaidade, nem para aparecer, mas porque sabia que, na educação, pequenos gestos mudam destinos inteiros.

Nos corredores, seu nome era sempre associado a movimento. Um projeto de leitura que virava colo. Uma adaptação curricular feita mesmo quando “não era obrigação”. Uma roda de conversa quando o clima apertava. Uma escuta quando ninguém mais tinha tempo. Se havia algo que precisava de cuidado, Paulyne estava lá.

Os reconhecimentos formais, porém, quase nunca vinham.

Prêmios passavam. Certificados tinham outros nomes.

Ela recebia agradecimentos sinceros, abraços apertados, olhares que diziam “obrigada por não desistir”. Mas o sistema raramente a enxergava.

Mesmo assim, ela seguia.

Porque não sabia fazer diferente.

Foi com esse espírito que decidiu participar do concurso da cidade. A proposta falava de memória, de identidade, de romper com a ideia de “neutralidade” nos espaços educativos e culturais. Aquilo a atravessou. Não era só um projeto. Era o que ela já fazia todos os dias, só que agora em forma de escrita, desenho e conceito.

Ao preencher o formulário, uma pergunta simples interrompeu tudo:

“Qual sua raça/cor?”

Paulyne foi direto procurar “parda”.

Como sempre.

Não estava lá.

As opções eram poucas e duras:

( ) Branco

( ) Preto

( ) Indígena

Ela parou.

Se não era branca.

Se nunca lhe ensinaram a se reconhecer como indígena, embora sentisse que algo ali fora apagado.

Se sempre lhe disseram que era “morena”, “misturada”, “de boa...

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Raízes de Reexistência

Dados da imagem É o instante em que Paulyne, a professora e diretora que sempre cuidou da identidade de seus alunos, finalmente encontra o espelho para a sua própria história.
Ao se deparar com um formulário que tentava limitá-la, ela mergulhou na memória da Vó Niza e do Vô Lalau para entender que sua cor não era um detalhe administrativo, mas um território de resistência. O gesto de desmarcar o

É o instante em que Paulyne, a professora e diretora que sempre cuidou da identidade de seus alunos, finalmente encontra o espelho para a sua própria história. Ao se deparar com um formulário que tentava limitá-la, ela mergulhou na memória da Vó Niza e do Vô Lalau para entender que sua cor não era um detalhe administrativo, mas um território de resistência. O gesto de desmarcar o "branco" e assumir-se preta no formulário não foi apenas um preenchimento de papel: foi o nascimento do Projeto Reexistência. A imagem sintetiza essa jornada: o sorriso de quem se reconhece, o apoio visual da ancestralidade ao fundo e a escola, o lugar onde ela agora ensina que ninguém precisa caber em silêncios alheios.

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