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Os lençóis da minha mãe tinham memória. Eram importados, com estamparias originais e coloridas, enormes...Os de solteiro pareciam de casal e os de casal, colchas que se derramavam pela cama que ficava maior ainda. Eles tinham elásticos que se prendiam à cama e aquilo era uma novidade Eram práticos e confortáveis; e davam um aspecto de cama sempre feita ali, na hora, quase passada a ferro. Ah, mas só não era assim porque havia a memória dos lençóis Mesmo quando eles se estendiam no varal, a sua marca ficava à vista, como veias na pele. Na cama também era assim: aquele vinco permanente que nunca saía. Lavava mas não passava. A empregada lá de casa não se conformava, torcia o nariz para aquela "falta de higiene", "coisa de gringo", pois o que esterilizava as roupas era exatamente "o ferro em brasa" de carvão ainda, daqueles pesadões, que ela tinha que soprar ou abanar com leque de palha, espalhando as cinzas pelo ar, e que deixava a lavanderia com o cheiro permanente de algo queimando.

"No iron" estava escrito no plástico que protegia os lençóis. Minha mãe gostava de coisas práticas, casa grande, muitos filhos. Quando se viu no exterior com aquele mundo de "quinquilharias domésticas", quis ter tudo que pudesse facilitar o seu cotidiano. Os lençóis que não passavam foi uma aquisição fantástica para ela, que, naquele período fora, fazia todo o trabalho doméstico. Aqueles novos lençóis não precisavam passar, nem alisar, só dobrar...dobrar na memória que já estava ali, pronta, que não se desfazia nas lavagens, que não se perdia em várias máquinas nem em várias mãos. Pareciam rugas que a velhice traz como marcas da história de cada um. Assim é a memória dos lençóis da minha mãe para mim: a lembrança daqueles dias em que os pegávamos nos varais e os estendíamos diante dos nossos olhos risonhos, sempre surpresos pelos vincos perenes que não se apagavam nunca. Podíamos dobrá-los de olhos fechados. E a memória dos...

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