Meu nome é Júlio César Araújo, nasci no Estado de Minas Gerais, no Além Paraíba, em 1964.
Eu ingressei [na Petrobras], em dezembro de 1975, através de um concurso. Com muita dificuldade, eu tinha feito um curso de Técnico de Química, aqui mesmo em São José dos Campos. Meu tio era militar e meu pai trabalhava para ele em um sítio. Meu pai veio de Minas e sempre trabalhou como lavrador. Foram muitas dificuldades. Eu tive essa ajuda para fazer um curso Técnico e, através desse curso, passei nesse concurso, para interno regional, como se chamava na época. Depois de cerca oito meses do concurso, ingressei na Revap. Eu havia trabalhado como Auxiliar de Laboratório, em duas indústrias de alimentos. Quando fui, recebi o comunicado para ingressar na Revap. Eu estava na General Motors do Brasil, na área de Produção e me preparava para ingressar no laboratório de metalurgia.
Vim direto para a área que estou há quase 23 anos: o laboratório da Revap. É um trabalho bem dinâmico. Quando ingressei, trabalhei na área de Cromatografia, onde fiquei por três anos. Passei a trabalhar por regime de turnos, quando funcionava em quatro turnos de oito horas: o regime de turnos era uma grande dificuldade. Comecei a fazer faculdade na área de Química. Depois, voltei para o horário administrativo, na área de Controle de Qualidade, o antigo CQL, hoje Grupo de Equipamentos. Neste trabalho verificamos os equipamentos através de amostras de referência; a amostra de referência vai para a os equipamentos de manutenção predial, que a gente ajuda a cuidar, nas horas que conseguimos. Fazemos também as análises de acompanhamento para certificação de produtos. Eu trabalhei em quase todas as áreas do laboratório, desde as análises físico-químicas até a verificação de calibração de equipamentos, como também nos contatos externos da manutenção, para a aquisição de novos equipamentos. É bem dinâmico, gostoso. Gosto do que faço. Dentro da Revap...
Continuar leituraMeu nome é Júlio César Araújo, nasci no Estado de Minas Gerais, no Além Paraíba, em 1964.
Eu ingressei [na Petrobras], em dezembro de 1975, através de um concurso. Com muita dificuldade, eu tinha feito um curso de Técnico de Química, aqui mesmo em São José dos Campos. Meu tio era militar e meu pai trabalhava para ele em um sítio. Meu pai veio de Minas e sempre trabalhou como lavrador. Foram muitas dificuldades. Eu tive essa ajuda para fazer um curso Técnico e, através desse curso, passei nesse concurso, para interno regional, como se chamava na época. Depois de cerca oito meses do concurso, ingressei na Revap. Eu havia trabalhado como Auxiliar de Laboratório, em duas indústrias de alimentos. Quando fui, recebi o comunicado para ingressar na Revap. Eu estava na General Motors do Brasil, na área de Produção e me preparava para ingressar no laboratório de metalurgia.
Vim direto para a área que estou há quase 23 anos: o laboratório da Revap. É um trabalho bem dinâmico. Quando ingressei, trabalhei na área de Cromatografia, onde fiquei por três anos. Passei a trabalhar por regime de turnos, quando funcionava em quatro turnos de oito horas: o regime de turnos era uma grande dificuldade. Comecei a fazer faculdade na área de Química. Depois, voltei para o horário administrativo, na área de Controle de Qualidade, o antigo CQL, hoje Grupo de Equipamentos. Neste trabalho verificamos os equipamentos através de amostras de referência; a amostra de referência vai para a os equipamentos de manutenção predial, que a gente ajuda a cuidar, nas horas que conseguimos. Fazemos também as análises de acompanhamento para certificação de produtos. Eu trabalhei em quase todas as áreas do laboratório, desde as análises físico-químicas até a verificação de calibração de equipamentos, como também nos contatos externos da manutenção, para a aquisição de novos equipamentos. É bem dinâmico, gostoso. Gosto do que faço. Dentro da Revap é essa a função da gente.
Ele é de extrema importância, não só para os clientes internos – para certificar o andamento da unidade, verificar o alinhamento da produção – como também para a certificação final do produto de venda. O produto tem sempre ligação conosco, desde a produção do petróleo até a parte de transportes para os terminais. Tudo isso vai para certificação, que autoriza a venda do produto final ao cliente.
A Revap sempre buscou a dinâmica de construção de novas unidades. Sempre teve uma característica de diferenciação, por fazer sua certificação interna, além da certificação da Agência Nacional de Petróleo. A Revap sempre trabalhou com sua certificação. Não posso falar por outro setor, mas nós temos uma maneira de falar, de se expressar e de dividir, para a atuação em outros segmentos. Temos uma boa relação pessoal com todas essas áreas. A gente se identifica muito bem com eles. Isso não é característica pessoal, minha, mas todos nós temos boa facilidade de relacionamento. Isso é importante. É a busca de perfeição. A Revap chega a exagerar com a busca pela perfeição, dada sua constante busca por qualidade e segurança em tudo o que faz. A gente deve sempre exigir o máximo de nós, para dar nossa contribuição. Visitei diversas unidades. Sempre encontro algumas questões regionais, específica das regiões do Brasil, que é praticamente um Continente. Cada região tem suas características, mas a característica nossa é essa busca pela perfeição, por uma qualidade extra. Por exemplo, o nosso QAV [Querosene de Aviação] é um dos melhores a nível mundial, não apenas nacional. Nosso QAV tem uma qualidade muito boa, é um produto diferenciado. Acho que abastecemos parte da Grande São Paulo. Buscamos reduzir o nível de poluentes emitidos pelos automóveis. O mercado dessa região exige certificação extra, para poluir menos, diminuir a quantidade de enxofre. Esse mercado atinge também um pouco do Centro Oeste. Mas é na região metropolitana que mercado se revela mais exigente.
[A presença da Revap na região] é de extrema importância. Há uma importância econômica, na geração de empregos, embora o emprego direto na Petrobras seja um pouco mais restrito, pois o sistema de refino não empregue muito, devido à modernização e às práticas de desenvolvimento. Mas são gerados muitos empregos diretos e indiretos. Ser fosse feita uma pesquisa de mercado, se perceberia que os jovens se interessam em entrar na Petrobras. Ela é uma referência para a região.
O que vemos hoje é uma busca pela qualidade extra dos produtos, para evitar a poluição ambiental. Há um cuidado com os resíduos do Laboratório, por exemplo. Cuidado com o uso dos descartáveis. Existe um sistema de descarte que, ao invés de jogar o material direto no canal oleoso, a gente o coloca numa carreta que o leva para um re-processamento dos resíduos. Hoje, temos um cuidado a mais com a prática de manipulação dos produtos químicos. As amostras, por exemplo, eram coletadas em quantidades maiores; hoje, temos um estudo que viabilizou a redução dessa amostragem, utilizamos um volume menor. São práticas que visam amenizar a situação. O tanque de refino é outro exemplo; hoje, ele é tratado como uma questão ambiental, seus recursos são utilizamos com certa cautela. Há uma preocupação com tudo isso, no sentido de evitar ou aliviar danos ambientais. O resíduo da refinaria é re-processado e, dependendo do que está diluído, é jogado em algumas correntes ou volta para o processo para ser reaproveitado.
COMUNIDADE
Sei da participação da Petrobras no investimento da Fundhas [Fundação Hélio Augusto de Souza], uma fundação ligada ao Governo Municipal que trabalha com pessoas carentes. Há também um trabalho com a comunidade do entorno da Revap.
Diretamente no meu trabalho, a principal mudança foram as frentes de análises que exigiram compra de novos equipamentos. Precisamos sempre nos adequar às novas especificações de produtos. A parte de analisador de linhas é uma parte que cresceu muito; fica diretamente no laboratório, junto com a parte elétrica, faz as certificações e calibrações desses equipamentos, não só de implantação de aparelhos, mas de funcionando e verificação da calibração. Surgiu inclusive a necessidade de novos anexos ao Laboratório: foi construído um Laboratório novo, que iniciou em junho. Como o laboratório não suporta mais a grande carga de equipamentos, estamos construindo um novo. O anexo foi construído para criar uma equipe exclusiva de analisadoras de linha, o que gerou novos empregos, novas pessoas foram contratadas diretamente, por concurso público direto. É também importante agregar produtos ligados à petroquímica: a Petrobras investe nisso, aplica parte de sua energia na busca de outras alternativas. É o que eu vejo. A unidade é sendo ampliada para poder retirar novos produtos, o que teria também um bom impacto no meio ambiente, pois aproveitaríamos resíduos que atualmente são descartados. Hoje, procuramos reaproveitá-los. Está para sair essa nova unidade. Hoje, estamos com uma nova unidade de gás propeno em funcionamento: um desses novos produtos.
Quando surgiu a questão da crise, dizíamos que ela não era nossa, não era uma crise instaurada, nem globalizada. No início, por precaução, a gente teve alguns cortes de investimento. Agora, parece que as coisas estão em via de se ajeitar novamente. Tivemos alguns custos que geraram certa insatisfação, porque faltaram algumas peças que, em finais de ano, a Petrobras sempre promovia e a Revap também promovia. Alguns investimentos de manutenção foram jogados para janeiro ou fevereiro. Enfim, houve um impacto direto dessa crise, por uma questão de precaução. Não foi um impacto tão violento como se esperava. O mercado nacional ainda não se apertou muito. Não sei se sentiremos isso no futuro, mas, por enquanto, a gente vê que ainda não nos afetou diretamente. A indústria de automotiva teve um impacto grande fora do país, enquanto aqui, no Brasil, ainda se consegue vender automóvel. Enfim, não teve aquele impacto geral; ainda não senti.
Evidentemente há uma relação direta conosco, mas eu ainda não vejo nada. Nosso planejamento está na busca por retirar mais produtos da própria estação. Mas o Pré-Sal em si, eu ainda não vi nada. A gente sabe o que está acontecendo no Litoral Paulista, pelo menos a gente sabe que tem uma movimentação muito grande. A Revap buscou esta alternativa realmente por causa de energia, não pelo Pré-Sal.
Desde que estou aqui, vi grandes transformações. Quando ingressei, o sistema Petrobras ainda era controlado pelo Governo Militar que tinha a preocupação em manter o mercado diretamente para a Petrobras. Isso não era ruim, mas a preocupação era bem menor. Hoje, precisamos estar mais ligados às mudanças. Com as mudanças de Governo, tivemos também algumas mudanças ruins, de impacto direto para os funcionários da Petrobras, algumas relações conflituosas. Passamos por fases de transição muito ruins. Com esse discurso de se adequar ao mercado globalizado, de fiscal de inativo e fiscal de lucro cessante, tivemos que correr atrás. Diante das dificuldades, tivemos de nos adaptar. Em termos de gerenciamento foram necessárias mudanças muito grandes, para se adequar. Recentemente, tivemos algumas mudanças. Voltaram os investimentos, por exemplo, o que é bom. Eu tenho muita coisa aqui na minha cabeça em relação ao futuro. Embora eu não participe diretamente da gerência do Sistema Petrobras, estou ligado em algumas coisas, até por questões externas, levantadas em discussões que participo. Temos os nossos pontos de vista. Eu quero uma nação que cresça e produza essa luta pela igualdade e pela liberdade. Eu busco isso. Desejo que o Sistema Petrobras esteja inserido nesse processo. Quero ver essa transformação. Vejo com bons olhos o Pré-Sal, desde que tenhamos possibilidade de mudar alguns aspectos de investimento, de política econômica, porque senão o nosso país não verá o impacto positivo e direto. Eu espero que isso aconteça, é o meu sonho.
Sou duplamente sindicalizado, porque também sou professor. Na década de 1980, quando me formei em Química, com licenciatura plena, atuei como professor. Isso faz mais de 15 anos. Estou um pouco afastado da educação, mas sou ainda filiado À Apeoesp, o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, aliás, fui dirigente direto da Apeoesp. [No sindicato dos petroleiros] sou sindicalizado desde que entrei na Revap. Participei de diretorias antigas, mas atualmente não estou diretamente nela. Fui atuante na década de 1990. Participei diretamente de muitas transformações. Um ponto positivo foi que essa minha participação me agregou muitos valores. Não só no movimento sindical, mas em outros conjuntos sociais, como o grupo de câmera, grupo ambiental e na parte de internet. Isso agrega valores, cresce-se com isso. Foi muito importante estar nos movimentos da área sindical, nos movimentos populares e sociais. Foi muito gratificante. Eu tenho bons momentos na área sindical. Participei de todas essas mudanças e continuo participando. Como falei em relação ao Pré-Sal: esta é uma luta que devemos travar. Atualmente estou no Conselho Fiscal do sindicato, portanto não atuo diretamente na Diretoria. Não estou liberado do trabalho, mas busco maneiras para participar e ajudar.
A relação do Capital com o trabalhador sempre teve alguns conflitos. Isso não é de agora, vem de muito tempo. Alguns conflitos melhoraram um pouco, de certos anos para cá, mas ainda não temos a abertura que sonhamos. As indústrias, de um modo geral, não só do Sistema Petrobras, buscam o lucro. O trabalhador nunca se dará por satisfeito, sempre terá as suas reivindicações. Temos demandas a serem resolvidas, mas isso faz parte do contexto. Alguma coisa melhorou a nível nacional, não tem dúvida, mas sonhamos com uma abertura maior. O objetivo da indústria é lucratividade em cima de produtividade. Na hora do corte de custos, sempre sobra para o trabalhador.
Quando ingressei na Petrobras, no meu setor se pagava bem. Tínhamos também a questão da aposentadoria especial, por insalubridade, por causa dos produtos químicos da operação, o que ocorria só em alguns segmentos da Petrobras. Entrava-se naquela perspectiva de se aposentar aos 43 anos. Entrei com essa vontade de me aposentar. O salário não era ruim para o mercado. Era interessante também por ser um sistema estatal, o que agregava valor à vida social, devido aos possíveis recursos de investimentos maiores. Eu me sinto bem porque aqui busco para que estejamos inseridos no processo de produção de uma riqueza que não pertence só a nós petroleiros, mas a toda a Nação. Essa visão global, de globalização positiva, me faz sentir bem dentro da Petrobras. Lógico que brigamos por condições melhores, mas quando eu entrei era nesse sentido.
Eu espero que aqueles sonhos possam ser alcançados por nós. Espero que a Petrobras não seja só dos petroleiros, mas que seja nossa, da nossa Nação brasileira. Para que nossos futuros filhos e netos, que estarão no mercado, sejam agregados nesse sentido positivo, de soberania e prosperidade. Eu sonho isso e acredito que muitas outras pessoas também sonham com isso.
Achei bom participar. É uma maneira de colocarmos algo, embora eu desejasse me preparar melhor. O dia-a-dia é muito corrido, não só dentro da Petrobras, mas também lá fora. Devo rever algumas coisas, devo redimensioná-las. Eu não me preparei, mas a mensagem está dada.
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