"Esta é a história de um homem que contou histórias, eu chamo ele de papai,
mas o mundo conheceu, sim, o mundo,
porque ele foi para o mundo todo, como
Geraldo Serrano, não Amorim Serrano, ele
não respondia, somente Geraldo Serrano. E
ele tinha um grande orgulho de carregar o
nome da família dele, que era uma família
de grandes homens, extremamente
honestos, lutaram pela libertação dos
escravos, e pela política do Espírito Santo.
Lutaram e lutaram, assim como Geraldo
Serrano, que saía de casa a cada dia não
sabendo se voltaria com o dinheiro para
alimentar a família, mas ele não saía só com
cachaça, bonecos, e doces em cestas para
vender, ele saía com uma fé inabalável e
essa fé carregou ele através dos 70 anos de
vida dele na terra, essa pequena história que
vocês vão ler, não fala nem um porcento do
que ele foi, do que ele fez, das coisas pelas quais ele lutou, de todo mal que ele teve
que enfrentar, inveja, ódio, foi expulso
várias vezes por ter ideias que iam além do
que era ensinado no espiritismo antigo e
lutou por todas elas, um homem que só
abaixou a cabeça para a própria esposa
quando ela dizia “Geraldo, hoje você não
vai, hoje não vai dar certo” porque ele sabia
que aquela mulher ao lado dele era uma
médium de uma luz extraordinária, de uma
enorme capacidade de prever e ver, aquela
mulher eu chamo de mamãe, e vocês
conheçam Therezinha de Jesus Fernandes
Serrano, aquela que foi o alicerce da casa, o
ar das asas que fez Geraldo Serrano voar e
hoje no plano superior se encontram cada
um com a sua batalha pessoal, e Geraldo
continua com os amigos espirituais lutando
com muita garra e muita força e
especialmente com muita fé renovada
através da dor que sentiu no corpo por mais
de sete anos pelos excessos que cometeu na
terra, ele pagou no corpo, ele compreendeu
e hoje ele é linha de frente de salvamento
juntamente com seus grandes amigos
espirituais. Deixo aqui um...
Continuar leitura"Esta é a história de um homem que contou histórias, eu chamo ele de papai,
mas o mundo conheceu, sim, o mundo,
porque ele foi para o mundo todo, como
Geraldo Serrano, não Amorim Serrano, ele
não respondia, somente Geraldo Serrano. E
ele tinha um grande orgulho de carregar o
nome da família dele, que era uma família
de grandes homens, extremamente
honestos, lutaram pela libertação dos
escravos, e pela política do Espírito Santo.
Lutaram e lutaram, assim como Geraldo
Serrano, que saía de casa a cada dia não
sabendo se voltaria com o dinheiro para
alimentar a família, mas ele não saía só com
cachaça, bonecos, e doces em cestas para
vender, ele saía com uma fé inabalável e
essa fé carregou ele através dos 70 anos de
vida dele na terra, essa pequena história que
vocês vão ler, não fala nem um porcento do
que ele foi, do que ele fez, das coisas pelas quais ele lutou, de todo mal que ele teve
que enfrentar, inveja, ódio, foi expulso
várias vezes por ter ideias que iam além do
que era ensinado no espiritismo antigo e
lutou por todas elas, um homem que só
abaixou a cabeça para a própria esposa
quando ela dizia “Geraldo, hoje você não
vai, hoje não vai dar certo” porque ele sabia
que aquela mulher ao lado dele era uma
médium de uma luz extraordinária, de uma
enorme capacidade de prever e ver, aquela
mulher eu chamo de mamãe, e vocês
conheçam Therezinha de Jesus Fernandes
Serrano, aquela que foi o alicerce da casa, o
ar das asas que fez Geraldo Serrano voar e
hoje no plano superior se encontram cada
um com a sua batalha pessoal, e Geraldo
continua com os amigos espirituais lutando
com muita garra e muita força e
especialmente com muita fé renovada
através da dor que sentiu no corpo por mais
de sete anos pelos excessos que cometeu na
terra, ele pagou no corpo, ele compreendeu
e hoje ele é linha de frente de salvamento
juntamente com seus grandes amigos
espirituais. Deixo aqui um grande abraço da
sua filhinha que não te conheceu como gostaria, não teve tempo com você como
gostaria, fui a última, cheguei muito tarde,
você ficou ao meu lado por muito pouco
tempo mas durante esses 20 anos em que
conheci a sua luz e a sua sombra mantive os
ouvidos abertos a você e mamãe, e é com as
palavras que entraram através da sua boca
pelos meus ouvidos que eu conto a história
do grande guerreiro, não temas soldado
Geraldo Serrano, sua história vai ser
contada ao mundo, pois a vaidade não vai te
pegar” Esta história
que vou lhes contar se passa em Niterói e
Congonhas.
Geraldo Serrano era um homem
que no começo da vida não
acreditava muito em nada e era
muito rebelde, ele tinha ideias
revolucionárias a respeito do
espiritismo da época, e essas ideias
seguiram muito no Rio de Janeiro,
porque muitos seguiam somente a cartilha de
Allan Kardec e ele achava que as ideias, as
primeiras ideias, não eram realmente somente o
que deveria ser dito, eram só o início, igual ele
sempre dizia aquilo dali foi o que podia ser dado,
podia ser introduzido na época a respeito do
espiritismo, e portanto ele dizia que igual Santo
Agostinho falava, como consta no Salmo 8[1], para
um recém-nascido você dá o leite, para uma
criança você dá a papinha, e para um adulto você
dá a comida, e nós éramos quais crianças que
precisavam do leite quando Allan Kardec fez o
livro dos espíritos, e o irmão X, o espírito da
verdade, ele mostrou ali o início do que realmente
seria o lançamento do espiritismo, que Chico
Xavier seguiu à risca. Ele questionava
ferrenhamente a Bíblia, as palestras que ele dava
em Belo Horizonte, quais ele foi expulso de todos os centros Espíritas que ele foi, inclusive o
Cáritas, eram palestras que falavam sobre tópicos
polêmicos, como a sexualidade, coisas que Jesus
Cristo poderia ter passado por estar encarnado, e
estar na terra, coisas que hoje são faladas
abertamente e antigamente as pessoas, mesmo nos
anos oitenta e noventa, não aceitavam em Belo
Horizonte, portanto ele foi pedido para se retirar
dos centros, porque o que ele falava não condizia
exatamente com o que estava escrito, extrapolava
os limites. Ele tentava trazer a umbanda falando
que eram grandes mestres que estavam ali, que
nem todos aqueles espíritos que estavam ali eram
não dignos, espíritos que como no caso do preto
velho que teve que se apresentar como um médico
ao centro espírita já que não aceitaram a presença
de um preto velho, ele voltou na sequência do
ocorrido falando que ele tinha sido um médico e
todos eles ouviram, quando ele terminou falou
que queria que vocês tivessem a humildade de
compreender que eu vim aqui da outra vez e vocês
me tiraram da sessão dizendo que vocês não me
ouviriam porque eu vim como preto velho, porque
eu fui médico mas eu também fui um escravo, e
eu me apresentei como a forma que eu tive
quando eu tive a elucidação e humildade para
poder falar para vocês e vocês não quiseram
ouvir, então eu peço que não aprendam como eu
aprendi durante o tempo que fui escravo, mas que
aprendam com humildade, e todos nós somos
espíritos e estamos aqui para colaborar. Geraldo Serrano era
o primeiro filho de
Noêmia Amorim
Serrano e Galba
Augusto de Carvalho
Serrano e deles
nasceram outros dois,
Guilherme, o segundo
filho, e Getúlio, o terceiro filho.
Getúlio era tenente-coronel do
exército do Rio de Janeiro da
marinha então você já pode
entender que ele e o irmão mais
novo não se davam muito bem por
que ele e Getúlio tinham muitas
diferenças, os dois tinham
comportamentos muito parecidos e ao mesmo
tempo muito diferentes. Getúlio era muito sério,
muito direto, muito cheio de regras e hábitos, isso
dizia minha avó, esposa do meu avô Geraldo,
Dona Therezinha de Jesus Fernandes Serrano. O
que acontece é que Geraldo era rebelde como
disse antes e não gostava muito de regras, na
verdade interessava a ele não ir contra as regras
mas entender por que elas estavam ali e se elas
realmente eram regras que deveriam ser seguidas
e se elas não fossem regras que deveriam ser
seguidas, porque eram regras absolutistas, ele
realmente iria fazer o possível para quebrar cada
uma delas, e ele iria mostrar isso de uma forma bastante alta, não por isso o apelido dele era alto-
falante, ele tinha uma voz muito forte. Quando era
mais novo se dava muito bem, aliás sempre se
deu, com meu tio-avô Guilherme, o irmão dele, o
irmão do meio. Guilherme era muito tranquilo, na
verdade até mais por fora do que
dentro da própria casa, então o que
eu posso dizer é que eram todos de cabeça quente, três homens, e a pobre da minha
bisavó Noêmia no meio. Enfim, Geraldo não era
muito de acreditar em nada quando ele ficou
noivo da minha avó Therezinha, filha de Carmem
Alonso Gallego e José Moraes Fernandes, ela
acabou por mostrar um mundo para ele que até
que Noêmia gostava muito. Carmem e Noêmia
eram muito amigas, as duas
mães e as duas iam pra
centros espíritas, naquela
época a umbanda estava
começando. Também
naquela época em Niterói era
muito comum que as pessoas se casassem com
aqueles que os pais conheciam, mas no caso de
Geraldo e Therezinha eles se conheceram na
escola, quando Therezinha tinha quatorze anos e
Geraldo dezesseis. Therezinha vivia em uma
comunidade Hispano-Judaica em Niterói e sua
amiga Hela a avisou que lá haviam dois maus
elementos por serem rebeldes, Geraldo e
Guilherme, porém como as duas famílias
conviviam no espiritismo e na umbanda a aproximação dos dois se tornou inevitável após o
fim do período escolar aos dezoito anos, quando
Geraldo já no exército cumprindo dois anos como
Jornalista, por causa de seus pés chatos e
incapacidade de correr, se apaixonou por
Therezinha perdidamente, conhecida como uma
das damas mais bonitas de Niterói, Therezinha
aprendeu com seus tios a pescar com uma faca
entre os dentes, nadava e pescava como ninguém,
criada sempre ao lado de Clara, sua avó, e
Carmem, sua mãe, e José, seu pai, caixeiro
viajante vendedor de remédios, hoje vocês
chamam de representante farmacêutico, recebia
todos os dias poemas, cartas, bombons, fotos do
mesmo que era extremamente vaidoso;
Therezinha se viu interessada naquele galante
cavalheiro, aos 19 anos ficou noiva e aguardou até
os 21 anos para se casar, foi uma época muito
sofrida para ela dizia, a sua amada avó teve um
infarte, sabia disso pois Clara colocou a mão peito
e pediu –“ Therezinha, meu rosário”, ela rezou em
silêncio e o rosário lhe caiu das mãos, Clara havia
morrido, a casa se tornou luto, os espelhos foram
escondidos ou panos foram colocados, para evitar
o medo da catalepsia o corpo de Clara ficou na
casa em cima da mesa sendo velado por 3 dias e
noites, quando finalmente foi levado em cortejo
para o cemitério em Niterói, lotado estava pois ela
fez mais de 2 mil partos ao longo de sua jornada
ao chegar da Galicia no Brasil no morro do
cavalão, era muito conhecida como benzedeira e conhecia a capacidade de Therezinha de ver
espíritos e claro ter muito medo, a família nunca
deixou de ser católica fervorosa e limpava
túmulos aos domingos para honrar as almas mas
aquela queda pelo espiritismo veio mesmo de
José, diga-se umbanda, sua irmã Zaira rodava
cabocla Jurema como ninguém, fumava charuto
da ponta acessa dentro da boca e fazia coisas
incríveis, Noêmia também inclinada ao
espiritismo desde cedo estava em todas, além de
salvar animais ( de onde Geraldo tirou seu amor
por bichos), e enfim durante esse tempo Geraldo
se empenhou em ser o melhor para a moça mais
disputada de Icaraí, além de muito fina, falava
baixo, era uma mulher de muita educação e fazia
caridade sempre que podia, inclusive atendendo
na farmácia do centro.
E sim eles iriam casar assim que Geraldo saísse
do exército, onde exerceu o papel de jornalista do
exército, finalmente após muita espera e dois anos
de um vestido feito à mão por Carmem e Noêmia
se casaram, isso quando Therezinha tinha vinte-e-
um anos e ele vinte-e-três e constituíram família;
Logo deixo um aviso, de que nada disso seria
possível se Carmem Alonso Gallego e José
Moraes Fernandes não tivessem ajudado, porque
ele não tinha condições de fazer o que ele fez se
não fossem eles, e principalmente se não fosse
Therezinha de Jesus Fernandes Serrano, que
apoiou todos os momentos ele fazer isso,
cuidando dos, na época, cinco filhos sozinha com
Carmem, e segurou junto com José, que era
caixeiro viajante, a casa durante muitos e muitos
anos e que quando já não tinha mais condições de
continuar com o sonho dele de jornalista é que
realmente ele foi trabalhar com vendas, e ele
continuou dando palestras e continuou sendo
expulso, mas não se deve esquecer nunca de que
isto só foi possível porque Carmem, José, e
Therezinha eram pilares que sustentavam a
rebelião, a vontade de se expressar, e a vontade de
mostrar ao mundo o que ele acreditava e no que
ele acreditava. Esta história começa pelo ano de 1932 no primeiro
dia de novembro, dia de todos os santos, onde em
Vitória, Espírito Santo, às 5:30 da manhã nasceu
Geraldo Serrano, algo interessante é que sua
esposa Therezinha nasceu em 1934 também no
primeiro dia, mas de maio e também às 5:30 como
um destino já traçado. Ele viveu em Vitória até por
volta dos sete anos de idade, seus irmãos todos
nasceram em Vitória, sua mãe era de Minas Gerais,
Bocaiúva, o avô dele, Luiz José, era do Rio de
Janeiro, sua família era Portuguesa, a princípio era
lavrador e depois conseguiu um trabalho como
guarda-fio mas depois de um tempo conseguiu o
cargo de inspetor e com esse cargo ele foi viajando
a trabalho por Minas Gerais, e em uma dessas
viagens, já divorciado da sua primeira mulher, ele
conheceu sua segunda esposa, avó de Geraldo,
Targina, que nasceu em Sete Lagoas, filha de
donos de fazenda pela região de Lagoa Santa,
Matozinhos, e a importantíssima Pedro Leopoldo,
logo foram para Bocaiúva, uma cidade próxima de
Itabira onde toda a família do pai dela residiam, se
casaram e lá tiveram seus filhos, um deles sendo
Noêmia, mãe de Geraldo. Em algum momento
enquanto Noêmia era pequena a família foi ao
Espírito Santo, provavelmente por causa do
trabalho do pai. Já no Espírito Santo Noêmia
conheceu Galba, ele era natural de lá, sua mãe
Hermelinda também era de lá e nascida na cidade
de São Mateus, porém o pai dele, Getúlio, não era,
ele era da Paraíba, tinha um cargo importante e por
isso ia para muitos lugares, sua família era de
imigrantes, mas não se sabe da onde vieram pois
eram cheios de segredos, apenas se sabe que
possivelmente da Espanha, mas a história é longa.
Getúlio, igual ao pai de Noêmia também teve uma
primeira esposa, e no seu segundo casamento teve
Galba.
Galba e Noêmia deram os nomes dos filhos de
forma bem pensada, Getúlio teve seu nome em
homenagem ao pai do Galba, Guilherme em
homenagem ao irmão do Galba, que inclusive foi
um homem de muito bom caráter, médico obstetra
que fez o parto de quase todos os filhos de
Therezinha e Noêmia, e finalmente Geraldo teve
seu nome em homenagem ao irmão da Noêmia,
que cuidou de todas as irmãs até que todas elas
estivessem estabelecidas. Uma parte da história é
que quase todo mundo estava contra o casamento
entre os dois, pois era o menos favorecido
financeiramente embora tivesse sido chefe dos
correios gostava de virar o cotovelo, diga-se beber,
mas eles se gostavam tanto ao ponto dela nem se
importar, o apelido dele dado a ela era “Florzinha”,
e ela todos os dias antes dele ir trabalhar limpava
os seus sapatos e lhe arrumava as roupas com
muito carinho.
Quando se casaram em Vitória foi uma bela festa,
inclusive o irmão da Noêmia, Geraldo, foi uma das
testemunhas. Guilherme aos quatro ou cinco anos
em Vitória contraiu poliomielite e foi levado para a
Ilha da Pólvora no Espírito Santo, também
chamada da Ilha do Medo, Ilha do Diabo ou Ilha
dos Leprosos, passou 40 dias lá, Noêmia
desesperada com o filho pequeno sozinho em uma
ilha, fazia todos os dias salgadinhos e doces,
pegava a balsa para a ilha entrega-los aos oficiais
para agrada-los para que eles dessem licença a ela
de ir ver o filho até que foi liberado, mas houve
uma sequela da doença e o seu braço esquerdo teve
uma paralisia e nunca mais pôde o mexer. Geraldo
ficou bastante triste na época pois era o mais velho,
gostava muito de Guilherme e os viu passando por
tudo aquilo.
Algum tempo depois quando meu avô fez 7 anos
mudaram-se para Campanha, uma cidade em
Minas Gerais, foi junto com seus irmãos, a razão
da mudança foi a trabalho, Galba era Chefe dos
Correios, diziam que foi um ótimo lugar e foram
muito felizes, tinham horta, depois quando Geraldo
tinha 11 anos foram para Niterói, que era grande
desejo de Noêmia pois suas irmãs moravam no Rio
de Janeiro Capital e elas eram muito unidas,
inclusive todo dia acordavam e tomavam
champagne juntas, em Niterói fizeram toda a vida,
Geraldo se integrou completamente e a única coisa
que o constava como capixaba era o registro de
nascimento, pois de corpo e alma era fluminense,
inclusive do time.
Geraldo quando criança inclusive era
extremamente difícil, em um ponto de que quando
estavam passando por necessidade, moravam em
uma casa em que nem banheiro tinha, para isso o
banheiro ficava fora da casa e havia de andar um
bocado para chegar, e devo adicionar ainda o fato
de que viviam no Fonseca, como ele já não provia
paz, sua tia, irmã da Noêmia chamada Maria
Amaziles que morava na Grécia, propôs que o
levassem para a Grécia assim ele poderia viver lá,
estudar, e livrar Noêmia de tanto fardo, mas ela
recusou, e em um momento sem opção o mandou
para a casa do primo com cerca de 12 anos, que era
de grande riqueza e não tão longe como a Grécia.
Geraldo, porém, odiou o local e o primo, em pouco
tempo fugiu para a casa da mãe, depois de alguns
anos com cerca de quinze anos, como sempre
revoltado, jogou a cadeira em um professor que
não aceitou discutir com ele academicamente. Não
é à toa que na escola ele e seus irmãos eram
chamados de maus elementos, mas ele não fazia
por maldade, é porque realmente quando ele queria
alguma coisa ele iria até o fim, mas gostaria de
pontuar que não foi um adulto agressivo, sempre
rebelde mas não mais agressivo, sendo isso um
sonho ou uma vontade de argumentar, ele tentaria
de todas as maneiras seguir aquilo.
Sua vontade de falar, e falar alto o fez entrar para o
Jornalismo, já fora do exército como locutor de
futebol, ator, apresentador e escritor teve
programas como o Alegria Alegria, As Orelhas
Ardem, também fez alguns Teledramas como o
“Grito de Terror!” e “Os Intérpretes”. Quando
tinha 24 anos em 56 teve sua primeira filha,
quando os outros filhos foram vindo a outrora
escassez já existente bateu na porta mais
arduamente nesta época, passavam por grandes
dificuldades, sobreviviam com o que ele e José
ganhavam, pai da Therezinha, eles viviam na rua
Ary Parreiras em uma casa de dois quartos e nesse
ponto tinham muitos filhos que dormiam todos
juntos, o calor era intenso, e na época da chuva
todo ano inundava tudo e acabava que perdiam
todos os pertences, enquanto estava alagado não
tinham como sair então ele subia a casa e ia pelos
telhados comprar um leite ou pão. Mas enquanto
tudo isso se passava em casa ele fez parte como
profissional da Grande Equipe Esportiva da Rádio
Guanabara, e deixo aqui algumas citações dele e
sobre ele na época,
“O locutor Geraldo Serrano, que sempre foi um
dos mais eficientes repórteres de campo da
Guanabara.” “O locutor Geraldo Serrano, da
Guanabara, considerado um dos mais falantes”
“Locutor e Repórter Geraldo Serrano, o único
locutor que grita ao microfone e fora dele”.
E sabia fazer isso muito bem, tinha o dom como
dizem, e por lá, entre os campos, conheceu um
grande amigo chamado Horacinho, ou Horácio de
Carvalho Neto, filho da Lily de Carvalho, se
conheceram e se tornaram grandes amigos, tal qual
irmãos, mas infelizmente Horacinho faleceu, e no
dia em si Geraldo era para tê-lo acompanhado, mas
antes de sair de casa como todo dia fazia
Therezinha disse para ele a seguinte frase “Hoje
você não vai”, e assim ele fez, e justamente neste
dia Horacinho ao dirigir-se para a sua fazenda em Maricá junto de uma moça teve seu carro
abalroado por um caminhão. Foi um dia muito
triste. Para dizer a bem da verdade o nome de Arigó eclodia nos jornais e
nas bocas da população do
Brasil, tomado por um
impulso que sabe-se de que
encarnação veio e o que fez
Geraldo e Horácio em
outras vidas para de
repente terem um imenso
interesse por Zé de Arigó,
interesse esse que foi
primordial no futuro para
sua libertação, disse o
próprio, levados por essa
imensa vontade de saber e
ajudar lá iam os dois antes
do dia fatídico do evento da morte de Horacinho,
eles eram tal qual irmãos numa busca incessante
pela verdade por de trás do mito, e além ia Dr.
Fritz, irmã Scheila e tantos outros médicos
espirituais ali presentes. Geraldo para ir até
Congonhas pegava seu fusca antigo, sabemos que a
viagem de Niterói até Congonhas chega a quase 5
horas, mas quem conhece Geraldo, ou pelo menos
ouviu sobre ele, sabe que uma de suas
características mais conhecidas era que ele corria
muito na estrada, então uma viagem com ele no
volante poderia diminuir consideravelmente o
tempo estimado, mas quando não ia com seu fusca
ia com Horacinho. Eles iam para lá com uma
câmera e um papel, anotavam e fotografavam tudo
que se passava, voltavam na segunda-feira para
fazer as reportagens e deixavam a semana inteira
cheia de novidades. Ele também fazia entrevistas e
debates ao vivo, algumas das que fez foram como
“A entrevista concedida pelo famoso médium José
Arigó preso na cadeia em Conselheiro Lafaiete, ao
repórter Geraldo Serrano PRC-8 Rádio Guanabara
1360 Kcs” e “Debate na TV-Continental sobre o
caso Arigó.”, muitas foram feitas, inclusive com o
Padre Quevedo, do qual era óbvio não tinha o
menor apreço, se mostrava como um intelectual
paranormal, tal como Ed Warren mas bem mais
fraquinho. Foram feitas várias entrevistas, notas,
reportagens, Geraldo se colocava na berlinda da
TV e do rádio, se colocava à frente e defendia com
unhas e dentes seu agora amigo Arigó, ele viu
tantas curas, tantas pessoas sendo ajudadas,
caridade pura em ação e como ele viu a luta dos
das trevas contra eles, ele presenciava cada
maldade, cada palavra falsa, cada barbaridade que
diziam de Dr. Fritz e Arigó e isso lhe era
combustível para seguir em frente, nunca parado
sempre tentaram, era ameaçado, achincalhado,
colocado muitas vezes na lama, perdeu vários
papéis em novelas, rádio e em apresentação, era
mal visto por muitos embora o movimento espirita
se espalhasse pelo mundo dos atores ele foi quem
colocou a cara a tapa, ele que escolheu perder tudo
para deixar a verdade ganhar, chorava sim, chorava
muito, ele lutou e venceu sua vaidade em prol da
justiça, não esperava menos de um filho de Ogum,
lembre-se isso nunca o impediu de seguir como um
verdadeiro gladiador, ele lutava porquê acreditava,
porque sua fé o elevava, o mantinha em pé e
caminhando ainda que com as mais fortes
tempestades; afinal ele havia visto demais, sabia
demais e queria que aquilo fosse divulgado e que
por algum milagre a medicina comum incorporasse
a medicina espiritual e andassem a ciência e a
espiritualidade de mãos dadas, Geraldo morreu
sem ver isso. Depois que Arigó conseguiu ser
liberto Geraldo foi continuando com a carreira,
mas algo estava diferente, até que um dia quando
estava na sala de descanso da produção radialista
recebeu uma proposta para vendas de ferro e aço-
filho de Ogum-, tendo em vista os filhos fez a
decisão de largar os sonhos e seguir o que
sustentaria a casa, mas jamais pense que Geraldo
deixou a causa, ele só precisou seguir na matéria
pois já não era mais querido nas TVs e sempre foi
um excelente vendedor, bom de papo, estressado e
sabedor da essência dos homens negociantes.
Pois bem, fez realmente grandes negócios nunca
parou até que corpo lhe cobrou os excessos,
amava comer, beber e fumar e não parava mesmo
após pontes de safena, infartos e outros até que os
amigos espirituais para poupa-lo de um desencarne
infeliz o colocaram numa cama paralisado, cego e
já incapaz de ler e com sua mente deteriorando
incapaz de se prejudicar, algo dentro me diz que a
infelicidade da falta de reconhecimento e toda a
gratidão que muitos artistas e tvs lhe deviam após
anos de dedicação por um micro salário muitas
vezes sem nenhum salário o tornaram assim, um
consumidor voraz de vícios para esquecer e mais,
estar tão longe do Rio De Janeiro por ter sido
transferido, isso lhe causou também tremendo
impacto.
Geraldo viveu como quis, lutou como um leão e
desencarnou como precisava. Hoje se vocês
estiverem nas estradas do Brasil, saiba que ele e
mais uma equipe de resgate de linha de frente estão lá por vocês para evitar ou amparar.
Que sua memória, Geraldo Serrano, seja ao menos hoje através desse livro honrada, que seja ao menos nesse momento lembrada e sabida, pelo grande homem que foi, com erros e acertos com glórias e perdas mas sobretudo com fé, FÈ essa que libertou Arigó e assim o deixou cumprir na terra seu destino por mais um bocadinho de tempo, salvando vidas e traçando novos destinos. Obrigada Geraldo Serrano por escolher a luta sempre!
“Ogum, Ogum meu pai, foi o senhor mesmo quem disse que filho de umbanda não cai”
Recolher