Eu me chamo Aline de Sá Pereira, nasci em Itaboraí, uma cidade do Rio de Janeiro e resido hoje em Tanguá. Nasci no dia 4 de julho de 1982. Eu sempre me interessei por meio ambiente, resolvi fazer Geografia, que é o estudo do espaço e estou terminando esse ano, agora em dezembro, pela Uerj [Universidade do Estado do Rio de Janeiro]. Eu vou estudar sobre áreas preservadas. O meu estudo de caso é a criação do Parque Municipal da Serra do Barbosão, que é o remanescente de Mata Atlântica que existe em Tanguá. É interesse do município, ambientalistas de lá querem transformar em Parque Municipal mesmo e dar um plano de manejo sustentável transformando em um sítio turístico visando a preservação. Já foi delimitado, perante uma lei, só que ainda está sendo elaborado o plano de manejo, está sendo concluído. [Escolhi Geografia] exatamente por causa dessa análise, dessa junção, do que é um trabalho humano, a produção econômica e também o resgate, a manutenção do meio ambiente. Não é só o meio em si, mas a sobrevivência, o espaço onde estamos, que as gerações vão legar. Acho que isso é importante, pelo menos para mim. A iniciativa da Petrobras era dividir as discussões em três segmentos: Primeiro Setor, o Estado, Segundo Setor, o empresariado local, e o Terceiro Setor, as ONGs e entidades de filantropia. Eu estou no Segundo Setor, representando o setor de negócios do município, represento a pousada, sítio da minha família, também ligado ao meio ambiente. É o Sítio Juvak, uma pousada que já temos há 17 anos. Antes era um sítio de lazer mesmo, nós íamos pra descansar. Como tem uma nascente, é um lugar bastante verde, a nossa idéia sempre foi nunca arrancar uma árvore e começamos a ver que o lugar era aprazível para usar também turisticamente. Então, resolvemos investir um pouco nisso, criar umas suítes, fazer uma área de lazer também pra trabalhar em cima. E Juvak significa o nome das minhas irmãs, Juliana,...
Continuar leituraEu me chamo Aline de Sá Pereira, nasci em Itaboraí, uma cidade do Rio de Janeiro e resido hoje em Tanguá. Nasci no dia 4 de julho de 1982. Eu sempre me interessei por meio ambiente, resolvi fazer Geografia, que é o estudo do espaço e estou terminando esse ano, agora em dezembro, pela Uerj [Universidade do Estado do Rio de Janeiro]. Eu vou estudar sobre áreas preservadas. O meu estudo de caso é a criação do Parque Municipal da Serra do Barbosão, que é o remanescente de Mata Atlântica que existe em Tanguá. É interesse do município, ambientalistas de lá querem transformar em Parque Municipal mesmo e dar um plano de manejo sustentável transformando em um sítio turístico visando a preservação. Já foi delimitado, perante uma lei, só que ainda está sendo elaborado o plano de manejo, está sendo concluído. [Escolhi Geografia] exatamente por causa dessa análise, dessa junção, do que é um trabalho humano, a produção econômica e também o resgate, a manutenção do meio ambiente. Não é só o meio em si, mas a sobrevivência, o espaço onde estamos, que as gerações vão legar. Acho que isso é importante, pelo menos para mim. A iniciativa da Petrobras era dividir as discussões em três segmentos: Primeiro Setor, o Estado, Segundo Setor, o empresariado local, e o Terceiro Setor, as ONGs e entidades de filantropia. Eu estou no Segundo Setor, representando o setor de negócios do município, represento a pousada, sítio da minha família, também ligado ao meio ambiente. É o Sítio Juvak, uma pousada que já temos há 17 anos. Antes era um sítio de lazer mesmo, nós íamos pra descansar. Como tem uma nascente, é um lugar bastante verde, a nossa idéia sempre foi nunca arrancar uma árvore e começamos a ver que o lugar era aprazível para usar também turisticamente. Então, resolvemos investir um pouco nisso, criar umas suítes, fazer uma área de lazer também pra trabalhar em cima. E Juvak significa o nome das minhas irmãs, Juliana, Vanessa, Aline e Karla. São quatro filhas, todo mundo dá um pouco de si, um pouco do seu trabalho pra valorizar isso. Hoje em dia eu estou cuidando mais disso, profissionalmente falando. Turisticamente, a partir de 2000, se constitui como empresa, antes tínhamos [o local] pra lazer, emprestávamos para pessoas, pessoas alugavam para aniversário. Aí, em 2000 resolvemos constituir como empresa, CNPJ [Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica], tudo, e realmente manter como uma empresa. E hoje a gente já tem bastantes igrejas, empresas, que vão buscar, passar um final de semana. Ou até dia de semana mesmo, pra usar os auditórios que dão pra promover palestras, encontros dessa natureza. Tanguá tem uma parte rural grande, é o segundo maior produtor de laranja do Estado. inclusive há intenção do poder público em manter essa característica. Tem a Cachoeira de Tomascar, que é uma queda de cinco metros, tem essa questão também rural, que a pessoa saindo da cidade pode ter uma opção de ir lá, entrar em uma fazenda. Tem uma cachaçaria também, que pode ser um outro ponto turístico. E Tanguá também é um pólo produtor de fluorita, segundo maior produtor do país, só perde para Criciúma. Nós temos lá também duas mineradoras que também podem servir como ponto turístico, para quem não conhece uma mina. Fluorita, um minério, fluorita e cianito, um minério que já é explorado lá há 30 anos na cidade. Fluorita tem dois graus, um grau siderúrgico e um grau pra empresa de pasta de dente, esse tipo de material. E grande parte dele vai pra indústria siderúrgica, metalurgia. O de Tanguá, por exemplo, vai direto pra metalurgia, serve pra produção de aço, algumas ligas metálicas. Há 30 anos se faz isso. Uma coisa que realmente ninguém sabe, porque a partir da Agenda 21 as empresas foram convidadas a participar desse debate realmente. Até então, essas duas mineradoras nunca participavam de nenhuma discussão na cidade, não interviam em nada, nem participavam, muito menos da sociedade em si. Iam lá, exploravam, tinham o seu corpo de funcionários, que também era da cidade, procuravam manter isso, mas não tinham uma relação muito próxima. Mas depois do advento do Comperj [Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro] e essas discussões todas, os próprios empresários do setor perceberam que era importante a participação deles nas discussões. Inclusive nós tivemos dois representantes deles, os dois proprietários das duas mineradoras lá. Eles estiveram falando um pouco do setor, como funciona, quais as perspectivas do futuro, provavelmente já está em uma época que a reserva já está exaurindo, então, eles ficaram conversando sobre essas possibilidades de aumento da exploração, ou paralisação. Enfim, deram uma contribuição importante. A maior mineradora tem 50 funcionários aproximadamente. No caso, essa parte mais bruta mesmo do trabalho, não é uma mão de obra especializada, mas faz diferença em um município como Tanguá, que ainda está se iniciando. Em junho de 2008 começaram as reuniões com a intervenção de uma ONG, o Instituto Iser [Institudo de Estudos da Religião]. A Patrícia criou uma amizade grande na cidade, Patrícia Kranz, nos direcionou em todas as reuniões, foi muito legal. Eu comecei a participar daí. No início era um grupo de mais ou menos 30 pessoas, todo mundo foi em reuniões mensais de junho até dezembro, tinha uma movimentação boa. Depois, por ocasião de pleito eleitoral, houve uma paralisação, muitas pessoas também acabavam utilizando as discussões como um meio de fazer uma política local, deu uma paralisada e voltou a partir de janeiro desse ano. Depois dessas reuniões exaustivas foi diminuindo o número de pessoas, as pessoas desanimaram e não quiseram se envolver mais, perceberam que a coisa começou a ter um compromisso maior, cada um teria que assumir uma função pra dar prosseguimento às propostas inseridas no início. O município e todos os componentes ficaram bastante lisonjeados com a iniciativa, acharam que era importante a participação deles, que poderiam ser ouvidos por uma empresa tão importante como é a Petrobras em um momento que estamos vivendo hoje, com o Comperj tão próximo da cidade. Ao mesmo tempo nós tínhamos muitas perspectivas boas e também muitas preocupações. Eles sentiram realmente um canal de comunicação com a empresa, que era a possibilidade que o município tinha de ser ouvido. Foi um processo bem legal. Esse ano agora, em maio, foi o fechamento das reuniões. O município teve a iniciativa de: “Agora é a vez de vocês caminharem sozinhos, de vocês pensarem em seus projetos”, da gente realmente formalizar esse fórum e cada cidade procurar progredir naquilo que foi discutido por tanto tempo. Cada município do entorno recebeu uma ONG, Rio Bonito, Itaboraí, Cachoeira de Macacu, Niterói, São Gonçalo. Cada município recebeu uma ONG que tinha um mediador, no caso de Tanguá foi a Patrícia. Nós recebíamos uma apostila que era divida em capítulos, [em] cada capítulo uma área de interesse, saúde, meio ambiente, saneamento básico. Cada capítulo desses nós deveríamos esmiuçar o que o município tinha de positivo, de potencialidade, e o que ele tinha de preocupação. Então, [em] cada capítulo desse, [em] cada reunião, dividiu-se em grupos e cada um conversava sobre o que o município tinha que avançar ou o que ele já tinha feito referente àquele assunto. Depois disso, depois de várias reuniões, capitulamos esses dados, foram organizados e foi feita uma análise, um diagnóstico, pra ser apresentada a Petrobras. Nesse caso, no último debate foi definido, em poucas metas, o que deveria acontecer. Por isso que o Primeiro Setor, no caso o Estado, estava também envolvido, para se colocar em disposição e análise o que ele poderia fazer nesse tempo todo, o que ele poderia por em prática naquelas sugestões pensadas nas reuniões. Nesse período todo a Patrícia mandava e-mails, tinha um círculo também pela internet, cada um conversava e isso era uma coisa realmente feita pela ONG. Como na verdade, infelizmente, as pessoas esperam às vezes a liderança de alguém pra realmente correr atrás e desenvolver os trabalhos, a última reunião que nós tivemos com o fórum, a coisa que começou com 20 pessoas, a última reunião infelizmente tinham oito, dez. Eles sentiram realmente essa falta de alguém cobrar. No caso, estava sendo remunerada pra isso, às vezes uma pessoa que voluntariamente estaria cobrando todo mundo, ligando, tendo toda aquela dedicação para o processo andar. A última reunião, se não me engano, foi dia 10 de julho, e foi feita uma ficha, visto essa frequencia de cada pessoa nas reuniões. Nessa última reunião foi feita uma convocação extraordinária pra que todos pudessem estar presentes e avaliar a presença de cada um deles. Aí, foi visto quem realmente frequentou bastante as reuniões, quem esteve presente, foi realmente convocado pra assumir essa responsabilidade, que no caso seria a construção do fórum, seria um grupo só pra isso. Seria um outro grupo para Comunicação, um outro de Secretaria Executiva, que acompanharia essas reuniões e um outro de secretariado mesmo, pra montar ata, montar os documentos. Já tem uma lei, a lei já foi criada pelos vereadores, agora falta só o decreto do prefeito [para ficar] normatizado, porém é essa a questão. Como existe a dificuldade, nesse último momento agora, das pessoas se reunirem, isso é um processo que vai terminar agora em setembro, depois do dia 28 temos uma outra reunião marcada, ficou destrinchado pra cada um ter a sua parte pra fecharmos isso. Tem uma participação grande dos vereadores, eles estão interessados, o prefeito também, sendo que até que se discuta essa situação, se as pessoas não aparecerem, temos autonomia de chegar e decidir, definir, ou temos que realmente continuar buscando essas pessoas pra retornaram à iniciativa anterior? Por que não voltaram? Existe também uma dúvida no que se fazer. Nesse dia 28 agora vai ser decidido, vamos montar, eleger o fórum com essas oito pessoas ou vamos tentar trazer as outras de volta? Até certo ponto a gente teve que esperar pelo interesse das pessoas pra prosseguir. No total seriam 18 representantes. É essa questão, às vezes é melhor você contar com oito que estejam realmente interessados do que aguardar 20 que estão esperando sempre a cobrança de alguém, mais difícil, mais complicado. [As principais questões] ainda são as deficiências no município. Como Tanguá tem 13 anos, ainda não se constituiu uma Saúde muito boa, não temos ainda um hospital, principalmente a questão do emprego que é muito pensado. A gente percebe um fluxo migratório leve, mas já existe. Em contato com a Secretaria de Ação Social do município a gente vê uma demanda maior sobre coisas básicas, demandas de Saúde, Educação, e também pessoas vindo sem qualificação, esperando que simplesmente o Comperj ou as empresas que virão também junto darão oportunidades, que eles sabem ser uma coisa difícil. Acho que a principal preocupação é essa: a demanda por habitação e por emprego, foi bastante discutido isso na reunião. E também essa questão da mineradora, até que ponto o município tem que incentivar e autorizar um aumento nas leis ambientais pra liberar uma exploração maior dessa fluorita. Porque existe uma perturbação no meio, foi feita por 30 anos e ninguém tinha se atentado pra isso. Se realmente for continuar a exploração, tem que devastar um pouco essa serra que ainda existe, ou ainda experimentar algumas coisas pra ampliar isso. E até que ponto o município ganhou com essa exploração? Isso foi bastante discutido nas reuniões. A questão do setor que eu represento é a questão do emprego e também como que o município vai investir em infraestrutura para receber isso. A questão do saneamento básico, da água, que são dificuldades do município ainda, buscou-se investimentos, expansão da rede de água. Nós sabemos que dependemos de um órgão estadual, que é a Cedae [Companhia Estadual de Águas e Esgotos], que às vezes é difícil de estar em contato com essas pessoas e realmente dar andamento aos projetos. A Associação de Habitação de Tanguá, por exemplo, recebeu a doação de 110 casas populares. Existe um interesse, mas existe também muita preocupação por trás disso. Já mudou a questão do mercado imobiliário. Existem muitas pessoas a procura de investir, de fazer casa, construções pra casa e também lojas comerciais no centro. Tem um prédio grande já em construção pra aluguel de salas. Eu estou percebendo um boom imobiliário na cidade, interesse em investir sim. São 11 quilômetros [até Itaboraí], um raio de 11 quilômetros, mas até o local do [Comperj], mais ou menos uns 20 quilômetros. Acho que as principais cidades de entorno são Itaboraí e Tanguá, desse impacto em termos de demanda por serviço. A ação que foi feita foi a disponibilização de um espaço, uma sala, que tem uma pessoa própria pra atender essa procura, explicação sobre o que significaria esse fórum. Tanguá tem uma sala própria do Sebrae, lá dentro funcionava só o Sebrae e essa mesma pessoa que trabalhava lá também faz parte desse nosso fórum, ele também ficou disponível pra atender as solicitações do fórum, foi colocada uma placa da Agenda 21 pra mostrar um canal de comunicação maior com a cidade pra quem procurar se interessar. Mas como eu falei, a gente acabou esbarrando nisso, a pessoa começa a participar, depois desanima um pouco e precisa realmente de uma injeção de ânimo. Especificamente essa Agenda [eu] não [conhecia], eu conheci outras, de Painel Intergovernamental Climático, de outros tipos de Agenda, mas achei bastante interessante, pertinente participar. Eu achei muito bom, ótimo. Acho importante o Rio de Janeiro receber um investimento desse. O Estado é bastante rico em petróleo e precisa, lógico, fazer isso de uma maneira bem equilibrada e bem responsável. Não adianta ficarmos pensando que as cidades vão viver o resto da vida pautadas no combustível fóssil como o petróleo, por exemplo. Tem que pensar como isso seria depois organizado, não pensar logo daqui a cinco anos ou daqui a dez, mas como vai ser daqui a 30. Eu fiquei bastante otimista, achei bastante interessante, mas acho que só nos leva a agir com mais responsabilidade, os governos em si. Trabalhando essas populações pra aproveitar o que vai vir de bom mas também nos preparar para o que pode ser ruim. Digo assim, pautada no combustível fóssil que é o petróleo, uma coisa que não é infinita, então, precisamos ter cuidado. Acho importante nesse sentido. Achei interessante, mas [se deve] agir com cautela. Não tinha nada [da Petrobras lá], só ouvíamos falar muito de Macaé, se dizer bastante da cidade, mas também houve os seus problemas lá, os seus bolsões de pobreza, de miséria. Isso que nós nos preocupamos em Tanguá, de não rechaçar essas pessoas, pelo contrário, de nos preocupar realmente como que vai estar estruturada a questão social nessa cidade. Acho que a ideia seria acompanhar mais de perto, tentar conhecer a realidade dessas famílias, criar políticas de natalidade e incentivo à Educação. Na cidade existe uma escola de qualificação profissional, foi criada há três anos, e é pra pessoa se voltar para o curso, em alguma coisa, ocupar o seu tempo estudando realmente, não abandonar os estudos, que é o único caminho de se promover uma vida melhor pra eles. A gente está buscando um canal próximo à comunidade, isso é o que Tanguá está pretendendo fazer. A nossa expectativa é que tudo o que foi discutido, todos os objetivos que buscamos alcançar, sejam ouvidos, que isso não seja algo que foi só colocado porque precisava, não só um passivo que a empresa precisava para instalação do Comperj, não. A ideia é que realmente o que foi discutido sirva realmente para alguma coisa, sirva pra promover um projeto, para o município se movimentar e a empresa realmente ao que possa estar pensando. Lógico que sabemos que o interesse do capital é muito maior do que isso, mas [em] alguma coisa a população precisa ser ouvida, ser avaliada, seus objetivos, seus anseios. [Sobre impactos]: praticamente todas as partículas sólidas em suspensão e a falta de uma reserva natural na região; e não ter medição de níveis de poluição. Isso tudo vai acontecer, e principalmente a questão social, que acho que é o impacto maior, principal impacto que nós teríamos. Recentemente, essa CTC [Consórcio Terraplanagem Comperj], empresa de terraplanagem que está lá... Na verdade, Tanguá já tem 400 empregados lá, só nessa fase de terraplanagem. Houve um problema nessa licitação, na tomada de contas dessa empresa, e houve um pânico geral na cidade, essas 400 pessoas seriam mandadas embora. E isso há duas semanas mais ou menos. Houve um impacto grande nos mercados, no banco, e em uma fase inicial, preliminar, de pessoas com Segundo Grau, não eram cargos de alta qualificação. Esse é o medo que nós temos. Essa CTC, agora disse que vai manter as pessoas por até dois meses com o salário. Às vezes nem trabalhavam, iam lá, almoçavam e voltavam e todo mundo achava uma coisa estranha. Mas estavam contando com aquela vida, com o salário legal, uma coisa estabilizada, e é isso que eu temo, e as pessoas de lá temem, de estarem vivendo um período de ascensão para depois não saber o que fazer, como agir. Na verdade eu não trago uma história engraçada, eu vivo em uma cidade pequena, em que todo mundo se conhece, só tem 30 mil habitantes. Você vai conhecendo coisas boas e coisas ruins, mas é um pessoal bem interessado na política, embora tenha essa dificuldade, até educacionalmente falando mesmo. Às vezes o que se espera da política em uma cidade pequena são só favores em si, mas eu acho que isso vai mudar, até porque o número de jovens na cidade é grande e está todo mundo um pouco mais alerta nisso e isso é uma coisa que eu espero, que eu torço pra que mude realmente. Mas assim, uma cidade pequena, a gente está muito próximo ao poder político, é uma coisa bastante interessante. muito mais pessoas, vejo fumaça e vejo pessoas (risos), estou brincando. Eu vejo uma evolução, vejo uma cidade melhor, espero que preservando essa questão rural que estou falando, até porque a gente precisa da agricultura. E também espero uma agricultura muito melhor, um solo melhor utilizado. Hoje a gente produz só laranja, mas com o espaço que nós temos lá poderíamos produzir mais coisas, e os produtores com uma cabeça mais aberta, colocando coisas diferenciadas. Só querem produzir laranja, não querem usar corretivos no solo, por exemplo. Eu vejo uma cidade que tem potencial de desenvolver a agricultura, por exemplo, que é uma coisa que vai ser importante daqui pra frente, a gente não vai ter espaço físico pra isso. E eu vislumbro uma cidade melhor, uma cidade com mais produção de riqueza, mais desenvolvida, mais opção de Educação e lazer pra todos, é isso que eu penso. As pessoas acharam bastante interessante a iniciativa da Petrobras, só que infelizmente o ser humano às vezes precisa de alguém pra carregá-lo, pra fazer alguma coisa, ou alguém pra empurrar. A iniciativa própria é muito difícil às vezes, principalmente quando você não acredita que as coisas vão acontecer, não acredita que aquilo que foi discutido vai ser posto à frente, não vai ser ouvido, vai ser simplesmente um protocolo a ser cumprido. Eu gostaria de chamar a atenção das pessoas porque a nossa participação individual é muito importante, a vida é curta, vai passando, acho que a gente tem que deixar um legado importante para as gerações futuras e levar as coisas a sério. Ao mesmo tempo que acharam importante esse contato com a sociedade de Tanguá, acho que seria importante cada um levar a sua responsabilidade a frente e cumprir isso da melhor maneira possível. É muito bom, sempre tem três, quatro pessoas de cada setor realmente interessadas e envolvidas. Não é questão da maioria, existem pessoas realmente interessadas; no Primeiro Setor também, justamente por essa questão, que pode ser que não sejam ouvidas as propostas, mas sabemos que se o município não fizer um fórum, não constituir as metas colocadas, nosso município vai ser rechaçado. Sabemos que é importante concluir isso, levar a sério porque isso é como se fosse um ponto de desenvolvimento da cidade de Tanguá. A Petrobras vai ver qual é o município que está desenvolvendo esse trabalho: “Quem se interessou com isso? Ah, Tanguá, não? Então, não vamos dar atenção pra esse município porque as pessoas não se mostraram interessadas também”. Eu acho que isso seria uma coisa ruim pra nós. Todo mundo lá tem essa consciência de que seria assim. Então, o Primeiro Setor está envolvido, principalmente porque ele pode ser o único que pode promover essas políticas, e o Terceiro também. Acho que tudo precisa ser documentado, tudo é importante de se guardar e depois vai precisar pra alguma coisa, acho que é importante guardar as imagens e depoimentos das pessoas. Eu acho isso muito bom, interessante e bem válido. (risos) Embora eu esteja com uma cara de sono, que não tenha preparado nada, ligaram ontem, estou envolvida em outras coisas, estudando. Espero que tenha sido válido pra vocês, espero que tenha acrescentado alguma coisa. Pra mim foi interessante estar em contato, [ter] visto um pouco disso aqui, achei legal (risos). Eu agradeço.
Recolher