A história de um pai que, mesmo sem condições de criar a filha, nunca deixou de demonstrar amor e transmitir valores. Um relato sobre família, perdas, superação e como o exemplo de um pai pode atravessar gerações.
A herança invisível que meu pai me deixou.
Meu nome é Patrícia da Silva Gomes Poppolino, tenho 46 anos, sou mãe, trabalhadora, diarista e estudante de Pedagogia. Minha história é marcada por dificuldades, mas principalmente pelo amor e pelos valores que recebi do meu pai.
Meu pai se chamava Ozias Jordão Gomes.
Quando eu tinha apenas 2 anos de idade, ele precisou tomar a decisão mais difícil da vida dele: me deixar com meus padrinhos para que eu tivesse melhores condições de vida. Depois que minha mãe biológica foi embora e nos abandonou, ele ficou sozinho com dois filhos pequenos.
Meu irmão mais velho ficou com ele. Ele dizia que por eu ser menina eu precisava de mais cuidados e que, na situação difícil em que ele vivia, seria melhor eu ficar com meus padrinhos. Eles moravam com minha avó e enfrentavam muitas dificuldades. Meu pai também não podia trabalhar direito porque sofreu um acidente que deixou seu pescoço comprometido.
Mesmo com todas as dificuldades, ele nunca deixou de ser meu pai.
Todos os finais de semana ele vinha me visitar. Nunca chegava de mãos vazias. Sempre trazia um saquinho de doces e muito carinho. E uma frase que marcou minha vida:
"Filha, quando o papai melhorar de vida eu venho te buscar."
Eu cresci esperando esse dia. Hoje entendo que, mesmo não tendo conseguido me buscar, ele nunca deixou de me amar.
Meu pai era um homem simples, com pouco estudo, mas com um caráter enorme. Ele sempre me ensinou que a honestidade era a maior riqueza que alguém poderia ter. Ele me ensinou isso com a vida dele.
Guardo lembranças que até hoje aquecem meu coração. Ele descascava a laranja e separava os gomos para mim. Tirava as espinhas do peixe para eu não me machucar. Pequenos gestos que mostravam...
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A história de um pai que, mesmo sem condições de criar a filha, nunca deixou de demonstrar amor e transmitir valores. Um relato sobre família, perdas, superação e como o exemplo de um pai pode atravessar gerações.
A herança invisível que meu pai me deixou.
Meu nome é Patrícia da Silva Gomes Poppolino, tenho 46 anos, sou mãe, trabalhadora, diarista e estudante de Pedagogia. Minha história é marcada por dificuldades, mas principalmente pelo amor e pelos valores que recebi do meu pai.
Meu pai se chamava Ozias Jordão Gomes.
Quando eu tinha apenas 2 anos de idade, ele precisou tomar a decisão mais difícil da vida dele: me deixar com meus padrinhos para que eu tivesse melhores condições de vida. Depois que minha mãe biológica foi embora e nos abandonou, ele ficou sozinho com dois filhos pequenos.
Meu irmão mais velho ficou com ele. Ele dizia que por eu ser menina eu precisava de mais cuidados e que, na situação difícil em que ele vivia, seria melhor eu ficar com meus padrinhos. Eles moravam com minha avó e enfrentavam muitas dificuldades. Meu pai também não podia trabalhar direito porque sofreu um acidente que deixou seu pescoço comprometido.
Mesmo com todas as dificuldades, ele nunca deixou de ser meu pai.
Todos os finais de semana ele vinha me visitar. Nunca chegava de mãos vazias. Sempre trazia um saquinho de doces e muito carinho. E uma frase que marcou minha vida:
"Filha, quando o papai melhorar de vida eu venho te buscar."
Eu cresci esperando esse dia. Hoje entendo que, mesmo não tendo conseguido me buscar, ele nunca deixou de me amar.
Meu pai era um homem simples, com pouco estudo, mas com um caráter enorme. Ele sempre me ensinou que a honestidade era a maior riqueza que alguém poderia ter. Ele me ensinou isso com a vida dele.
Guardo lembranças que até hoje aquecem meu coração. Ele descascava a laranja e separava os gomos para mim. Tirava as espinhas do peixe para eu não me machucar. Pequenos gestos que mostravam um amor gigante.
Eu ficava contando os dias para o final de semana chegar só para poder vê-lo. Lembro dele passando a barba no meu rosto e a gente rindo juntos. Momentos simples, mas que se tornaram eternos na minha memória.
Na minha adolescência veio a notícia mais difícil: meu pai estava com câncer no estômago. Ele não pôde mais me visitar, então eu passei a ir até ele. Acompanhei seu sofrimento de perto. Vi aquele homem forte sendo consumido pela doença.
Ele foi ficando muito magro, parou de andar e depois parou de falar. Mas seus olhos continuavam falando comigo. A gente conversava pelo olhar. Um olhar cheio de amor.
Até que um dia ele descansou.
Mas o amor dele nunca saiu de dentro de mim.
Ele nunca me abandonou. Ele apenas me amou do jeito que podia.
Deus ainda me abençoou com meus padrinhos. Meu padrinho José Verissimo, também foi um verdadeiro pai para mim. Um homem íntegro, trabalhador e um exemplo de caráter. Ele faleceu há 4 anos. Minha madrinha Marlene Maria Da Silva foi e ainda é uma verdadeira mãe, uma mulher virtuosa que me ensinou valores importantes.
Posso dizer que Deus me deu dois pais maravilhosos.
Hoje tenho 46 anos e sou mãe do Gabriel, de 25 anos. Criei meu filho sozinha, trabalhando como diarista, com muita luta e muito amor. Sempre acreditei que o estudo era o melhor caminho e trabalhei muito para pagar seus cursos.
Hoje ele é técnico de enfermagem, instrumentador cirúrgico e também está fazendo faculdade. Um homem honesto, trabalhador e motivo do meu maior orgulho. Ver meu filho estudando é a prova de que todo o esforço valeu a pena.
Talvez ele não tenha tido a presença de um pai como eu tive, mas teve os ensinamentos que vieram dos meus pais e que eu fiz questão de transmitir.
Hoje entendo que a maior herança que um pai pode deixar não é dinheiro.
É o exemplo.
Meu pai me deixou uma fortuna invisível:
Caráter.
Honestidade.
Amor.
Respeito.
Força para nunca desistir.
Essa é minha homenagem ao meu pai Ozias Jordão Gomes, ao meu padrinho que também foi meu pai, e a todos os pais que são pais de verdade: aqueles que amam, cuidam e ensinam pelo exemplo.
Se hoje sou uma mulher forte, é porque um dia fui uma filha muito amada.
Patrícia da Silva Gomes Poppolino – Itaboraí/RJ
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