Casinha vazia
Só que tem um amigo de 4 patas sabe o quanto pode ser doloroso perder esse amigo. A Xitarinha chegou aqui em casa despretensiosa, com 2 anos de idade e ficou 13 anos com a gente, até os seus 15 anos. Infelizmente, sofreu nos últimos 12 meses com a mobilidade e logo mais, com questões neurológicas, onde tinha surtos e entrava num estado de agitação com gritos e gemidos de partir o coração.
Ela ficou cada vez mais dependente e já tinha virado rotina, dar remédios, oferecer água, ficar junto enquanto comia (para garantir que ia se alimentar), trocar o tapete higiênico, limpar a casinha, enfim, toda assistência que ela precisava e merecia, independente da hora. Levantando praticamente todas as madrugadas para atendê-la, como merecia ser atendida.
Nos seus últimos dias, houve um cuidado ainda maior para que ela tivesse o máximo de conforto possível. Inclusive no seu último domingo, um churrasquinho pensado especialmente pra ela, feito com muito carinho.
No dia em que ela partiu, foi de muita tristeza, e como se não bastasse, o ciclo da dor recomeçou, ao encontrar mais tarde a cartelinha de remédios dela, o pacote de lenço umedecido, a panelinha de comida… Todos os objetos que serviam de suporte para lidar com ela, ali, paradinhos, sem ter mais a necessidade de se utilizar. Ao ver esses itens, o coração doeu novamente, eles eram a senha de um contato diário com a Xitarinha e agora, são só objetos, sem um propósito. Então foram guardados, um a um, pois não serão mais necessários, porque nossa querida Xitara não está mais com a gente, assim como a casinha dela, que agora está vazia.