Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Álvaro Luis Caetano
Entrevistado por Márcia de Paiva
Rio de Janeiro, 11/11/2004
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB616
Transcrito por Thiago de Sá
R – Você vai perguntar, né?
P/1 – Eu faço umas perguntinhas e a gente vai e conversa, é muito simples, não tem...
R – Sem problema.
P/1 – Está bom?
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – Eu gostaria de começar então a entrevista, pedindo que o senhor diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Álvaro (Luis?) Caetano, nascido em 15/9/49, 55 anos em Mangueira, Rio de Janeiro.
P/1 – Senhor Álvaro, o senhor pode contar um pouco da sua trajetória? Como é que o senhor chegou, o que o senhor faz hoje?
R – Como eu já disse, eu nasci em Mangueira e vivi toda minha vida, nasci e me criei em Mangueira, me casei em Mangueira, meus filhos nasceram em Mangueira, meus pais nasceram em Mangueira e como toda pessoa que nasce mangueirense nasce com o samba no sangue, comigo não foi diferente, eu vivia minha vida toda próximo a Estação Primeira de Mangueira, desde os tempos de criança tomando conta de carro na porta dos ensaios, e hoje eu exerço a função de presidente da Estação Primeira de Mangueira.
P/1 – O senhor pode falar um pouco o que é ser presidente da Mangueira que tem todo esse carisma pro Brasil inteiro, não só pro Rio?
R – Realmente é uma situação especial, um orgulho muito grande, nós que amamos a Estação Primeira de Mangueira, que aprendemos a conviver com essa emoção enorme que é a emoção do Carnaval, que é a emoção do desfile das escolas de samba e chegar a posição de presidente é realmente uma emoção muito grande. Agora, a Mangueira é uma escola de samba que, no decorrer do tempo, se transformou também numa escola de vida, nós desenvolvemos muitos projetos sociais na Mangueira, projetos esses que têm, com certeza, dado uma oportunidade de...
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Depoimento de Álvaro Luis Caetano
Entrevistado por Márcia de Paiva
Rio de Janeiro, 11/11/2004
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB616
Transcrito por Thiago de Sá
R – Você vai perguntar, né?
P/1 – Eu faço umas perguntinhas e a gente vai e conversa, é muito simples, não tem...
R – Sem problema.
P/1 – Está bom?
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – Eu gostaria de começar então a entrevista, pedindo que o senhor diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Álvaro (Luis?) Caetano, nascido em 15/9/49, 55 anos em Mangueira, Rio de Janeiro.
P/1 – Senhor Álvaro, o senhor pode contar um pouco da sua trajetória? Como é que o senhor chegou, o que o senhor faz hoje?
R – Como eu já disse, eu nasci em Mangueira e vivi toda minha vida, nasci e me criei em Mangueira, me casei em Mangueira, meus filhos nasceram em Mangueira, meus pais nasceram em Mangueira e como toda pessoa que nasce mangueirense nasce com o samba no sangue, comigo não foi diferente, eu vivia minha vida toda próximo a Estação Primeira de Mangueira, desde os tempos de criança tomando conta de carro na porta dos ensaios, e hoje eu exerço a função de presidente da Estação Primeira de Mangueira.
P/1 – O senhor pode falar um pouco o que é ser presidente da Mangueira que tem todo esse carisma pro Brasil inteiro, não só pro Rio?
R – Realmente é uma situação especial, um orgulho muito grande, nós que amamos a Estação Primeira de Mangueira, que aprendemos a conviver com essa emoção enorme que é a emoção do Carnaval, que é a emoção do desfile das escolas de samba e chegar a posição de presidente é realmente uma emoção muito grande. Agora, a Mangueira é uma escola de samba que, no decorrer do tempo, se transformou também numa escola de vida, nós desenvolvemos muitos projetos sociais na Mangueira, projetos esses que têm, com certeza, dado uma oportunidade de vida melhor pras pessoas da comunidade da Mangueira e a gente tem um orgulho muito grande de participar disso diretamente enquanto presidente da escola e isso nos deixa muito felizes porque a Mangueira, hoje, é considerada mundialmente como o projeto social mais importante dos países em desenvolvimento, isso reconhecido pela Unesco, reconhecido por entidades de todo o mundo e...
P/1 – Pode falar então um pouquinho desse projeto social que vocês estão desenvolvendo? Qual é o nome?
R – Veja só, a Mangueira tem um projeto social que está completando agora 18 anos que é o Projeto Olímpico da Mangueira, um projeto que culminou agora na Olimpíada de Atenas com quatro atletas que iniciaram no projeto da Mangueira participando da Olimpíada. Nós temos um projeto profissionalizante na quadra da Mangueira, aliás, a quadra da Mangueira, o nome da quadra é Centro Cultural Mangueira Petrobras, é uma parceria da Mangueira com a Petrobras que nos dá a possibilidade de desenvolver, desenvolvemos 26 cursos profissionalizantes.
P/1 – Nesse centro cultural?
R – Nesse centro cultural, onde nós realizamos também os nossos ensaios. Durante a semana e no período de recesso do Carnaval ela se transforma numa grande sala de aula, num centro cultural onde esses projetos são desenvolvidos, são projetos de uma ocupação imediata das pessoas que fazem esses cursos, nós temos lá curso de manicure, de esteticista, de cabeleireiro, curso de inglês, curso de espanhol, curso de telemarketing, curso de informática, esses cursos proporcionam às pessoas da comunidade da Mangueira uma possibilidade de uma complementação financeira, haja visto, por exemplo, a pessoa que se forma lá em manicure, já no dia seguinte bota lá uma plaquinha “Faz-se Unha” e tal e já tem um complemento na sua renda, a finalidade maior desse projeto é a ocupação do jovem, é a ocupação do adolescente, dar a ele uma perspectiva melhor de vida, quer dizer, ocupá-lo pra que ele não fique ocioso e, com isso, descambe pra caminhos que não são caminhos que devem ser seguidos, a Mangueira já 18 anos desenvolve esse projeto, sente-se orgulhosa de fazer isso e com certeza nós temos convicção que nós estamos fazendo a nossa parte – apesar de ser pequena – nós estamos fazendo a nossa parte pra um futuro melhor.
P/1 – Quais são as dificuldades que o senhor encontra nesse trabalho?
R – Olha, as dificuldades que nós encontramos, como todos em comunidade carente, são os recursos pra que isso seja feito. A Mangueira, graças a Deus, a gente tem muitos parceiros, muitos padrinhos, muitos patrocinadores mas mesmo assim a gente encontra dificuldade porque, veja bem, deixa eu te dar mais ou menos uma explicação do que ocorre: nós trazemos a criança no horário em que ela não está na escola, nós trazemos pro projeto social da Mangueira, aliás, uma das condições pra participar do projeto social da Mangueira é estar estudando, então nós temos que arranjar uma forma de trazer essa criança pro nosso projeto e que ela sinta a vontade, sinta prazer e que seus responsáveis também assumam a responsabilidade de mandá-los pro nosso projeto, então a dificuldade que nós encontramos é porque você sabe que nessas comunidades carentes as pessoas têm uma possibilidade, infelizmente, de seguir outros caminhos que num primeiro momento dá a impressão que é um caminho promissor mas que normalmente leva à pouco tempo de vida, leva à destruição. Então nós temos que fazer o máximo possível pra que essas crianças venham, nós temos que convencê-lo a participar e temos que convencer os seus pais a trazê-los, a fazê-los vir para o nosso curso, além de oferecer essa gama de possibilidades de estudo e de formação profissional, nós oferecemos, por exemplo, cestas básicas pra essas famílias, porque veja só, uma criança, pra receber a cesta básica, ela tem que ter um número X de freqüência no projeto, então o pai, a mãe, ele sente necessidade de obrigar o seu filho a ir para aquele projeto num primeiro momento até pra que ele tenha possibilidade de, ao final do mês, estar recebendo aquela complementação alimentar que é a cesta básica. Então nós temos muita dificuldade nisso mas, felizmente, a Mangueira tem conseguido ultrapassar esses obstáculos, essas dificuldades, o nosso projeto hoje é um projeto que tem, aproximadamente, 35 mil m² de área construída, envolve em torno de 10 mil pessoas entre crianças, adolescentes, adultos, idosos, é um projeto que, pra você ter uma idéia, ele vai na parte de educação, por exemplo, do CA, do Curso de Alfabetização à faculdade, a Mangueira tem uma faculdade administrada pela Estação Primeira de Mangueira, é uma faculdade de informática e de pedagogia, o posto de saúde que atende à comunidade da Mangueira é um posto de saúde da Estação Primeira de Mangueira em parceria com os órgãos públicos, a Estação Primeira de Mangueira agora recentemente construiu dentro da comunidade, dentro da favela, dois mini-postos de saúde que são administrados e bancados pela Estação Primeira de Mangueira pra atender essa população, a gente tem feito o máximo pra alcançar o objetivo de dar àquela comunidade uma perspectiva e uma possibilidade de vida melhor. Lógico que eu já estou com 55 anos, sou nascido e criado em Mangueira, meus pais são nascidos em Mangueira, meus filhos são nascidos em Mangueira, a gente conhece um pouco das dificuldades daquelas pessoas e, conhecendo essas dificuldades, a gente procura fazer o máximo possível pra minorar um pouco esses problemas.
P/1 – E o retorno... então, peraí, só pra gente voltar, a partir do centro cultural é que esses projetos todos profissionalizantes, ligados ao esporte, é que eles se irradiam...
R – Não, não, não.
P/1 - ...eles estão centrados no centro, como é que funciona?
R – Não, o Centro Cultural Mangueira/Petrobras é onde se desenvolvem os cursos profissionalizantes.
P/1 – Só os profissionalizantes?
R – Os cursos voltados pra área de esporte, quer dizer, o nosso projeto olímpico é um projeto que já tem 18 anos e que é uma parceria com uma outra empresa, mas o Centro Cultural Mangueira/Petrobras é na nossa quadra de ensaios que durante o ano se transforma numa grande sala de aula pros cursos profissionalizantes e alguns outros não-profissionalizantes, como por exemplo, de educação, não é o caso de espanhol e inglês que nós ministramos esses cursos lá, mas o principal desse centro cultural é justamente a parte profissionalizante e a parte cultural. Lá nós preparamos nossos futuros ritmistas, nossas futuras passistas, o pessoal envolvido com escola de samba.
P/1 – Tem aula de dança também?
R – Aula de dança, algumas pessoas, inclusive hoje, já temos a satisfação de ter algumas pessoas que iniciaram conosco, já estão trabalhando profissionalmente na cultura, na dança, outros de ritmistas, trabalhando já com percursão em casas de espetáculos do Rio de Janeiro e até fora do Rio de Janeiro e do Brasil.
P/1 – E vocês já estão vendo até um retorno.
R – Ah, sim, o retorno nós já temos, esse projeto é um projeto que tem 18 anos, e esse projeto olímpico que tem 18 anos e o projeto do Centro Cultural Mangueira/BR já tem cinco anos, cinco pra seis anos, então nós já temos retorno, nós temos satisfação, uma alegria muito grande de ter, por exemplo, o reconhecimento do Juiz da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro que atestou que a comunidade da Mangueira é a comunidade com o menor índice de menores infratores e o maior índice de menores na escola, nós temos o reconhecimento do delegado da 17ª Delegacia dizendo que no Morro de Mangueira, as crianças do Morro de Mangueira são mais distantes do tráfico que as crianças de outras comunidade, nós temos a satisfação, por exemplo, de ter atestados e vermos agora já se formando pessoas na informática numa faculdade administrada pela Estação Primeira de Mangueira, nós temos um curso chamado (Camp?) Mangueira que coloca o jovem no mercado de trabalho, mesmo que modestamente como office-boy ou como auxiliar de escritório, mas nós já temos mais de 2000 pessoas trabalhando, quer dizer, e com isso ficando distante daquela possibilidade de seguir por um caminho mais difícil.
P/1 – A escola de samba assumiu um lado de responsabilidade social também, né?
R – Exatamente.
P/1 – Isso é um lado naturalmente que foi acontecendo, essa preocupação?
R – É, isso foi acontecendo, eu acho que no caso específico da Mangueira isso deve-se ao fato de os presidentes, a Mangueira é uma escola de samba altamente democrática, nós temos eleição de três em três anos pra presidente da escola, qualquer associado com mais de cinco anos de sócio e com mais de 35 de idade pode se candidatar a presidente, mas felizmente, talvez a maioria dos presidentes da Mangueira, principalmente nos últimos anos, são pessoas da comunidade da Mangueira, nascida e criada na Mangueira, conseqüentemente essas pessoas conhecem os problemas da Mangueira e a partir de um determinado momento resolveu pegar a Estação Primeira como porta-voz dessa comunidade e, de alguma forma, trazer projetos e trazer esse trabalho pra melhorar um pouco a vida dessas pessoas. Isso começou em 1987 com Carlos Dória, que era presidente na época, e se estende até hoje graças a Deus com sucesso, o nosso projeto é um projeto – como eu já disse – é um projeto reconhecido, é um projeto que tem um parceiro há 18 anos, o mesmo parceiro e, com certeza, vai nos dar muita alegria, satisfação e, principalmente, a certeza que nós temos que nós temos problemas na nossa comunidade, mas com certeza bem menores que nas outras comunidades carentes.
P/1 – E esses problemas, vocês estão também tentando conciliar?
R – Com certeza!
P/1 – Vocês têm algum outro projeto novo?
R – A cada dia que passa nós procuramos de alguma forma trazer o jovem, trazer a criança, trazer o adolescente, pros projetos da Mangueira. É lógico que o sucesso desses projetos mexe com o brio, mexe com a vontade dos outros participarem, nós temos agora na Olimpíada, nós tivemos uma atleta que foi titular da Seleção Brasileira de Basquete, quer dizer, um pessoa do projeto da Mangueira, isso é uma coisa que chama as outras pessoas pra participar. Tivemos no revezamento 4x100m, um dos corredores iniciou o trabalho na Mangueira.
P/1 – Isso atrai, né?
R – Exatamente! Isso atrai e como se não bastasse isso, na verdade, o projeto da Mangueira em si, ele já atingiu uma situação que hoje os próprios pais, os próprios responsáveis se encarregam de encaminhar os seus filhos pro projeto porque essas pessoas, os pais, os responsáveis, também já foram participantes do projeto da Mangueira. Na verdade, hoje, a gente tem pessoas que iniciou no projeto da Mangueira com dez, 12 anos e eles estão com 28, 30 anos, então, já encaminha os seus filhos pra participar desse projeto, é um projeto que cresce a cada dia, a cada mês, é um projeto que tem – como eu já disse – um apoio muito grande dos parceiros e, com certeza, esse projeto vai continuar fazendo sucesso por aí.
P/1 – E do apoio da Petrobras, o que o senhor acha?
R – O apoio da Petrobras é fundamental pra esse projeto da Mangueira, como eu lhe falei, o nosso projeto começou na Vila Olímpica da Mangueira, o Projeto Olímpico e, posteriormente nós trouxemos três centros para a quadra de ensaio da Mangueira, que se chama Centro Cultural Mangueira Petrobras, e desde que nós trouxemos esse projeto para cá a Petrobras é nossa parceira através da BR, nós já temos alcançado muito sucesso com esses projetos, hoje nós temos em nossa quadra 26 cursos profissionalizantes, esses cursos já com pessoas formadas, com pessoas inclusive já desenvolvendo o trabalho, a profissão pela qual se formou...
P/1 – Eles ganham certificado?
R – Ganham certificado, tem vários cursos, nós fizemos agora um curso de arraes, que é o piloto, o mestre de embarcação, e esse curso é ministrado na Mangueira, eles fazem prova na Marinha, tem lá uma turma de uns 80, todos já com a carteirinha da Marinha, aptos a navegar pela baía, e agora vai ter uma prova para bombeiro do Estado do Rio de Janeiro, o ano passado, até foi o que nos fez iniciar esse curso, o ano passado o bombeiro não conseguiu preencher o número de vagas porque não havia pessoas capacitadas, hoje só a Estação Primeira de Mangueira está mandando em torno de 80 pessoas capacitadas a prestar esse concurso pro Corpo de Bombeiro. Isso é uma perspectiva de emprego...
P/1 – E como vocês montam esses cursos, é pela sugestão da própria comunidade?
R – Sugestão da comunidade, hoje a gente vai pela sugestão da comunidade, a gente vai pela possibilidade de colocação no mercado de trabalho e principal, nós procuramos fazer curso em que a pessoa tenha possibilidade, os adultos, os mais velhos, tenha a possibilidade de mais rapidamente possível ter uma complementação dos seus ganhos, então esses cursos de cabeleireiro, de esteticista, de manicure, esses cursos são importantíssimos, outra coisa que nós colocamos muito fortemente são os cursos voltados para as artes e essas pessoas são utilizadas profissionalmente no próprio barracão da Mangueira quando se aproxima o Carnaval trabalhando, confeccionando as alegorias, confeccionando as fantasias, na própria quadra da Mangueira nós temos uma escola de samba mirim que se chama Mangueira do Amanhã, se você for lá agora você vai ver, as pessoas estão fazendo as fantasias da Mangueira do Amanhã dentro da quadra da Mangueira, ou seja, no Centro Cultural Mangueira Petrobras.
P/1 – Que barato!
R – É isso aí, é assim que funciona.
P/1 – Você teria alguma sugestão pra Petrobras, pra essa área de patrocínio?
R – A Petrobras tem sido uma parceira maravilhosa pra Mangueira. Agora nós estamos fazendo o enredo sobre a energia, a Petrobras é nossa parceira nesse enredo, está nos apoiando muito, com certeza a Mangueira fará um grande Carnaval em 2005 com o apoio da Petrobras, e como já disse o Presidente José Eduardo Dutra no dia em que foi à quadra da Mangueira, nós estamos nessa parceria no nosso Centro Cultural Mangueira Petrobras, estamos na parceria do enredo, mas com certeza faremos muito mais parceria, a Petrobras é a maior empresa brasileira e logicamente que ela vai estar sempre junto da maior escola de samba do Rio de Janeiro e é um orgulho muito grande para nós termos a Petrobras como nossa parceira, com certeza outros projetos surgirão, nós faremos muita coisa juntos. O pensamento da Mangueira, a vontade da Mangueira é paralelo com o pensamento da Petrobras, com a vontade da Petrobras.
P/1 – Álvaro, você gostaria de falar mais alguma coisa, deixar registrado mais alguma coisa?
R – Não, gostaria de deixar registrado que a Mangueira tem uma satisfação muito grande, uma alegria muito grande de estar participando desse vídeo que vocês estão fazendo sobre a memória da Petrobras, a Mangueira é uma escola de samba que tem participado muito próximo da Petrobras em vários eventos, nós temos feito shows com a Petrobras, nós temos ido ao Clube da Petrobras com as nossas crianças, fazendo inclusive recreação, a Mangueira, a quadra da Mangueira na verdade ela é um apêndice da Petrobras, o Centro Cultural Mangueira Petrobras só existe e só funciona porque tem o apoio irrestrito da Petrobras, nós estamos muito felizes e muito satisfeitos e muito orgulhosos de ter a Petrobras como parceira, eu queria em meu nome pessoal e em nome da Estação Primeira de Mangueira, em nome de toda a diretoria, em nome da comunidade da Mangueira, agradecer a Petrobras por esse carinho que tem tido conosco e dizer que é Mangueira Petrobras até morrer.
P/1 – Bonitinho, antes de terminar eu queria perguntar, tem algum projeto dos seus sonhos que você gostaria ainda de ver realizado?
R – Tem, tem.
P/1 – Pode contar?
R – Olha, vou contar uma história pra vocês. O hino da Mangueira, todos os eventos da Mangueira quando iniciam, eles se iniciam cantando um samba que é assim: “Mangueira teu cenário é uma beleza/ que a natureza criou/ o morro com seus barracões de zinco/ quando amanhece, que esplendor!”. Eu, desde criança, quando tomava conta de carro na porta dos ensaios da Mangueira, que eu ouço cantar esse samba “Mangueira seu cenário é uma beleza”. Já não existe mais nas comunidades carentes barracões de zinco, hoje todas as comunidades carentes elas são totalmente construídas de alvenaria, mas se você prestar atenção, se não prestou atenção até hoje então presta atenção a partir de hoje, todas as casas elas são, pelo lado de fora elas não têm embolso, estão só nos tijolos, então não tem o acabamento exterior, o pouco recurso que a pessoa tem, ela procura dar um pouco de conforto internamente na sua casa, então eu já observo isso há muito tempo e esse cenário que o poeta dizia que era uma beleza, na verdade ele ainda não é uma beleza, mas o dia, e a partir da Mangueira, o dia que nós conseguirmos pegar essa comunidade da Mangueira dar condição para que essa comunidade embolse as suas casas pelo lado de fora e pinte as suas casas de preferência de verde e rosa, com certeza o morro de Mangueira vai ser o tal cenário que era uma beleza que o poeta sonhou algum tempo atrás. O meu sonho é um dia pintar o morro de Mangueira de verde e rosa, não necessariamente de verde, de rosa, mas de uma forma que ele lembre o verde e rosa da Mangueira e que ele passe a ser o grande cenário da quadra da Mangueira que é no pé do morro. Esse é um sonho, que já não é só um sonho, ele já está no papel, ele já é um projeto, e algumas pessoas inclusive da Petrobras já têm conhecimento desse projeto, quem sabe a gente consiga realizar isso.
P/1 – Mais um de valorização, né? Valorização pessoal.
R – Exatamente, a valorização do ser humano, é um projeto de cidadania, e eu estou falando da Mangueira, mas isso da minha cabeça, não sei se eu sou visionário, mas na minha cabeça se nós pegarmos a cidade do Rio de Janeiro, que é a cidade mais bonita do mundo, e se nós fizermos isso nas comunidades que hoje são simplesmente casas com tijolos aparentes, o Rio de Janeiro vai ficar muito mais bonito. Você já imaginou se você passar pelo morro de Mangueira e todas aquelas casas estiverem embolsadas e pintadas externamente? Não é um projeto caro, porque eu tenho certeza e convicção absoluta que a hora que nós tivermos o material pro embolso e a tinta pra pintura, a própria comunidade em mutirão realiza esse projeto, porque todo mundo quer isso, quando as pessoas souberam dessa minha vontade, desse meu desejo, elas começaram a me cobrar, até hoje eu encontro pessoas na Mangueira que dizem assim: “Quando é que nós vamos pintar as casas?”. Então eu acho que isso é uma coisa totalmente possível de ser feita, é um sonho que pode ser até que não aconteça nesse período em que eu sou o presidente da escola, mas é um sonho que com certeza eu vou ver realizado.
P/1 – Você vai ver realizado, o que você está realizando já é tão bonito também.
R – É isso aí, vai ser, com certeza vai ser, nós vamos chegar lá.
P/1 – Álvaro, queria agradecer sua participação, muito obrigada, e que o projeto continue cada vez mais bacana como você tem feito.
R – Eu é que agradeço, muito obrigada e um abraço.
P/1 – Obrigada.
(fim da fita__________).
Luis
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